Prefere ouvir este artigo em vez de ler? Ouça no player abaixo!

 

Não é novidade que fenômenos como El Niño e La Niña influenciam completamente o clima e trazem consequências para diversos setores da economia. A agricultura é um dos mais afetados pela atuação desses dois, mas você sabia que mesmo quando não há nenhum deles atuando efetivamente, a temperatura do Oceano ainda faz toda a diferença nas condições climáticas?

 

Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (da sigla em inglês NOAA) há 65% de chance de terminarmos 2018 com um El Niño configurado no verão, mas até lá, o Oceano Pacífico Equatorial segue no que os meteorologistas chamam de Neutralidade Climática, quando não há nem El Niño, nem La Niña.

À primeira vista, a palavra “Neutralidade” pode trazer a sensação de estabilidade, mas não é bem assim, este é um período que impacta, e muito,no mercado e por isso, pede tanta atenção quanto os períodos em que os fenômenos atuam. Por isso, que tal entender melhor o que é e como a esse fenômeno  pode impactar na sua lavoura e nos negócios?

 

Afinal, o que é Neutralidade?

 

Como foi dito lá em cima, Neutralidade é o período em que as águas do Oceano não estão aquecidas o suficiente para configurar um El Niño e nem frías o bastante para ser um La Niña. Para que tenhamos o primeiro, é necessário que a temperatura das águas do Pacífico fique pelo menos 0,5ºC acima da média por três trimestres consecutivos, enquanto o segundo ocorre quando a temperatura fica pelo menos 0,5ºC abaixo da média. No meio disso, está a Neutralidade.

 Ainda assim, é importante saber que durante o período neutro, a temperatura do oceano continua oscilando, seja negativa ou positivamente, o que quer dizer que a atmosfera pode acabar respondendo como se em um mês houvesse El Niño e no mês seguinte como se houvesse La Niña, ou seja, a variação (ou variabilidade) climática pode ser bem maior.

 

E o que isso quer dizer?

 

Se por um lado o El Niño costuma deixar as temperaturas mais elevadas que o normal em todo o Brasil e chuva acima da média no Sul do país, o La Niña é conhecido pelas temperaturas mais amenas e chuvas irregulares no Centro-Sul. Agora, quando falamos em Neutralidade essas características acontecem de forma menos acentuada, mas com maior variabilidade.

O que acontece é que as temperaturas estão sempre um pouco acima ou um pouco abaixo da média. Por exemplo, se as águas do Pacífico Equatorial estiverem 0,3ºC acima da média, não é suficiente para ser um El Niño, mas a atmosfera pode responder a isso com um mês um pouco mais chuvoso que o normal.

 

Apesar disso, não quer dizer que toda a estação será da mesma forma, já que no mês ou no trimestre seguinte, pode ser que a temperatura caia e fique cerca de 0,4ºC abaixo da média, o que não configura um La Niña, mas pode provocar um recesso na chuva, como se houvesse o fenômeno.

 

Como isso pode impactar a agricultura?

 

Como a variação aumenta, a chance de ocorrer um período chuvoso intercalado com períodos de tempo seco também é maior e isso aumenta a chance de frustrações em relação à produtividade das lavouras, isso porque à primeira vista, a chuva mais volumosa

pode deixar o produtor mais otimista, aumentando a área plantada e investimento mais na lavoura, mas o período seco que vem a seguir, pode colocar essa área em risco.

 

O mesmo pode acontecer ao contrário, um mês com umidade acima do normal pode aumentar o risco de problemas com doenças fúngicas, aumentando os gastos com insumos. Por isso é preciso saber com antecedência como o clima deve se comportar em longo prazo.

 

E os negócios?

 

Com tudo isso, não é difícil imaginar que independentemente de El Niño ou La Niña, a temperatura do Oceano Pacífico influencie e muito no mercado e nos negócios. Além de todo o acompanhamento e investimento de trabalho e dinheiro do produtor para garantir uma colheita de qualidade, os impactos do clima ainda são fator decisivo até o produto chegar ao consumidor final.

 

Por exemplo, em períodos de La Niña, como o que atuava no inicio de 2018, é comum as chuvas diminuem no Sul, ao passo que se tornam bem mais intensas e abrangentes na região Norte.

 

Nesta época, é comum ouvirmos sobre prejuízos  no transporte de cargas pela BR163, que ainda não é pavimentada, apesar de ser principal via para o porto de Miritituba, no Pará.

 

Problemas na logística, assim como na produção é o que estabelece o valor e o preço dos alimentos que vão parar nas gôndolas dos mercados. O clima é um dos fatores mais influentes na hora da tomada de decisão do produtor e dos negociantes, principalmente quando se trata de commodities, mas também ao tratar de culturas de ciclo curto, como no caso dos Hortifrútis.

 

Use a seu favor

 

 Então quer dizer que apesar de a gente ouvir tanto falar em El Niño e La Niña, esse tal período de Neutralidade também pode mexer com os negócios?

 

A resposta é sim. Mas apesar dos impactos negativos que citamos aqui, o clima também pode ser favorável mesmo neste período, basta saber usá-lo a seu favor.

 

Um agricultor que se mantém ligado nas previsões e está sempre acompanhando suas safras, diminui o risco de perda do potencial produtivo. Além disso, existem plataformas como o Agrosomar, por exemplo, que fornecem os chamados “calendários fitossanitários”, que preveem quando a possibilidade de uma doença fúngica pode aumentar por conta da alta umidade.

 

Sem contar que com o acompanhamento adequado da safra e do clima, também é possível avaliar melhor os riscos e oportunidades antes de tomar a decisão de investimento em determinadas culturas e insumos.

 

Agora que você entende a importância de estar sempre a par do clima e se manter informado não só sobre os períodos de El Niño e La Niña como também sobre os momentos de Neutralidade do Pacífico, que tal compartilhar essa informação com quem ainda não sabe nas suas redes sociais?

 

 

Fonte: Somar Meteorologia